sexta-feira, 29 de junho de 2012

Áudio-descrição da escultura "O Pensador", de Auguste Rodin


O Pensador, 1902 - Auguste Rodin


Confiram a publicação daÁudio-descrição de O Pensador", na Revista Brasileira de Tradução Visual - RBTV, edição de março de 2012.

Comentem, divulguem!

em:

http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/123/199


Abraços!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Margaret Rockwell: a mãe da audiodescrição



Nada mais oportuno, no mês das mães, que fazer uma homenagem para Margaret Rockwell, aquela que é considerada a mãe da audiodescrição. Margaret e seu marido Cody Pfanstiehl estarão para sempre ligados à história da audiodescrição americana e também da audiodescrição no mundo, já que o primeiro espetáculo teatral com audiodescrição que se tem notícia no mundo foi resultado do trabalho dos dois.

Margaret tinha retinose pigmentar e, aos 30 anos, perdeu completamente a visão. A partir daí, tornou-se uma ativista pela acessibilidade das pessoas com deficiência visual e passou grande parte de sua vida trabalhando para que tivessem acesso à leitura de jornais, à televisão e ao teatro. Fundou em 1974 um serviço de leitura para cegos, transmitido via rádio, o Metropolitan Ear.

E foi com Cody, seu marido e voluntário do Metropolitan Ear, que em 1981 implementou o programa de audiodescrição no teatro, no Arena Stage Theater, em Washington DC., a pedido das próprias companhias locais.

O conceito de audiodescrição já havia sido desenvolvido e apresentado na academia, em 1974, por Gregory Frazier, em sua tese de mestrado que tratava do tema cinema para cegos, também nos Estados Unidos. Mas foi com o casal Pfanstiehl, que o conceito criou vida, se materializou e pôde beneficiar tantas pessoas com deficiência visual que ficaram literalmente encantadas com a possibilidade de apreciar plenamente um espetáculo teatral. O sucesso foi tanto que logo o recurso começou a ser utilizado em muitos outros teatros, esparramando-se também para a Europa.

Margaret e Cody aprimoraram técnicas, sempre contanto com o feedback das pessoas com deficiência visual que assistiam aos espetáculos; treinaram audiodescritores nos Estados Unidos e outros países. Além dos teatros, eles produziram audioguias para museus e trabalhos para a televisão, o que foi a semente para a acessibilidade na televisão americana. Por sua luta pela acessibilidade, Margaret recebeu o prêmio Emmy Award, em 1990, e o reconhecimento das pessoas com deficiência visual do mundo todo.

Margaret amava as artes e sempre dizia que os cegos perdem detalhes e ações muito importantes quando assistem a uma peça ou a um programa de televisão. Ela costumava dizer que adoraria ter uma vozinha para lhe dizer se era um tiro ou uma porta batendo no palco, se o vilão estava correndo com um punhal, se os amantes estavam ou não se entreolhando...

Ela preparava os audiodescritores para não serem condescendentes com os cegos em suas gravações ou audiodescrições ao vivo. Contou que uma vez foi assistir a uma peça chamada: THE CAINE MUTINY, feita por um audiodescritor novato e, em um determinado momento, o audiodescritor falou nos fones de ouvido: "Ele está influenciando a testemunha".

Margaret ficou muito aborrecida e pediu ao audiodescritor para não fazer mais isso. Explicou com veemência que as pessoas cegas podem ouvir, elas só não podem ver. A maioria das pessoas cegas que vêm ao teatro, ela disse, são muito sofisticadas. E completou: "Se você pode chegar à conclusão que o personagem está influenciando a testemunha, uma pessoa cega também poderá fazê-lo. Você está lá para ser os olhos, as lentes de uma câmera colorida, para dizer tudo aquilo que você está vendo. O que chegar a seus olhos, sairá pela boca."

Morreu de doença pulmonar em 28 de setembro de 2009, mas será para sempre lembrada por milhões de pessoas que aprenderam a técnica, que trabalham e que se beneficiam do recurso nos mais diversos tipos de espetáculos e eventos.

Referências: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/10/03/AR2009100302661.html http://www.cadescribers.org/history.html

Fonte: Ver com Palavras Texto do Blog Ver com Palavras

terça-feira, 13 de março de 2012

Áudio-descrição da escultura “Pietá”, de Michelangelo Buomarotti

Notas sobre a obra:

A imagem áudio-descrita é uma fotografia colorida com dimensões de aproximadamente 18 por 15 centímetros em formato retrato. A escultura "Pietá", do artista renascentista, Michelangelo Buonarotti. É datada de 1499 e se encontra   na Basílica de São Pedro no Vaticano, na primeira capela da alameda do lado direito de quem entra na igreja, sob uma  redoma de vidro  inquebrável. Uma Pietà (italiano para Piedade) é um tema da arte cristã em que é representada a Virgem Maria com o corpo morto de Jesus nos braços, após a crucificação.


Legenda: “Pietá”, de Michelangelo Buonarotti - 1499

A imagem, sobre fundo escuro, mostra a escultura "Pietá" , em mármore de carrara, branco, polido como um marfim, no seu tamanho original de 174 centímetros de altura por 195 centímetros de largura.


A virgem Maria segura o filho Jesus morto nos braços. A escultura está harmonizada com a figura horizontal do Cristo, estendido sobre os joelhos da mãe, como que inserido entre suas  amplas vestes, com a figura vertical de Maria. A imagem de Jesus foi composta dentro da limitação do corpo da virgem.  As proporções do Cristo foram alteradas, ele é menor que a Virgem Maria , e está contido em seu manto, como se representasse uma espécie de  ligação entre mãe e filho. Na expressão do Cristo, não se observa uma representação da morte, mas sim a fisionomia  de um homem abandonado, mas sereno. A fisionomia da Virgem Maria é extremamente jovem e calma. A polidez do mármore realça sua beleza e  doçura. Traz no seu semblante uma expressão nobre de resignação. O peito da Virgem Maria traz, uma faixa atravessada, com a  assinatura de Michelangelo:
MICHAEL ANGELUS. BONAROTUS. FLORENT. FACIEBA(T) que significa "Miguel Angelo Buonarotus de Florença fez."

A mão direita da madona, que sustenta com força o corpo inerte, tem os dedos abertos, evidenciando as costelas do Cristo. O braço direito deste, por sua vez, aponta para o achado.   O achado está contido em uma forma  triangular na porção inferior da escultura. Um dos lados desse triângulo é formado pelo dorso, a região glútea e a coxa direita de Jesus. A panturrilha e o pé direito deste compõem o segundo lado. O terceiro é constituído por uma linha sobre o mando da Virgem, um pouco arqueada, que começa nos pés do Cristo e se eleva até a extremidade esquerda da estátua. Nesse triângulo encontra-se a representação do corte frontal do hemitórax direito. Abaixo do pé direito de Jesus se observam, nas dobras do manto, duas costelas seccionadas.

CEREJEIRA, Thiago de Lima Torreão. Áudio-descrição da Escultura "Pietá" de Michelangelo Buonarotti. Blog Arte Descrita- www.artedescrita.blogspot.com, Natal-RN, mar/2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Aviso importante - sobre a Áudio-descrição

Prezados blogueiros do blog Arte Descrita,
Gostaria de comunicar algumas mudanças no blog, que acredito serão para melhor.
A partir de então o blog terá, como objetivo principal, a Tecnologia Assistiva e a inclusão de pessoas portadoras de deficiência, procurando trabalhar assim com a Áudio-descrição, dentro de suas diretrizes básicas.
A implementação da áudio-descrição das imagens apresentadas no conteúdo das postagens tentará se isentar de opiniões pessoais do autor ou de outros autores, permitindo assim que a pessoa que a lê possa formar sua própria interpretação. Apenas notas técnicas das obras serão
apresentada, sendo a preocupação maior agora, a riqueza de detalhes e elementos, na descrição das imagens.
Espero que possamos realizar um bom trabalho e aqueles que quiserem ajudar e compartilhar suas experiências, serão muito benvindos. 
Aproveitem, comentem, divulguem...
Forte abraço!
Thiago de Lima Torreão Cerejeira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cadeira Panton, de Verner Panton

"Panton Chair", de Verner Panton - 1960



Descrição da imagem:

Feita de fibra de vidro com acabamento de pintura automotiva, sua forma expressiva a tornou-se  um verdadeiro ícone do design do século 20 e da Pop  Art. A Cadeira Panton, feita em forma S, é versátil , leve e confortável , e muda de papel conforme a necessidade do momento: passa de cadeira à mesa e vai até onde a imaginação de cada um alcançar. É feita com um bloco único de polietileno (plástico moldado), que se apresenta tal qual uma escultura totalmente limpa, com acabamento liso dos dois lados e pintura automotiva,  em cores marcantes. Quando justapostos, na posição de poltrona , os módulos podem compor sofás.



Há cerca de 50 anos atrás um dinamarquês nascido na cidade de Gamtofte produziu peças que ainda hoje têm como principal característica a inovação.  Verner Panton (1926-1998) é sinônimo de vanguarda  e foi expert em criar um mobiliário lúdico e novo num período em que o mundo atravessava a era pré-tecnológica, sendo também um precursor da revolução pop no mobiliário cool da época.

O designer utilizou como matéria prima para seu trabalho materiais como o plástico, o poliuretano e a espuma. Queria quebrar a frieza e rigidez do ferro e tornar o mobiliário mais engraçado. Para ele, era "inconcebível sentar num sofá bege e quadrado".

Algumas de suas peças, como a conhecida "Panton Chair", desafiaram a lei da gravidade e ainda hoje causam admiração e espanto. A Cadeira Panton, foi a primeira cadeira produzida em plástico, sendo ela uma peça inteira, contínua. Unidade em forma e material. Foi criada em 1960, ganhou vários prêmios de design e faz parte de diversas coleções em museus renomados em todo o mundo.

Verner Panton rompeu com a tradição dinamarquesa de linhas simples  puro e elegante em móveis de madeira, e experimentou com materiais coloridos e novos. Ele era um artesão que usou o plástico e o metal para criar objetos com um olhar mais internacional. É o exemplo perfeito de se estar no local exato, na época exata. A liberdade da cadeira Panton representava justamente o que os anos 60 pregavam.

De todas as cadeiras históricas a Panton é a unica realmente diferente de todas, isso se dá porque, além da sua forma inusitada: E inteiriça, não há separação entre o assento, a estrutura de apoio e o espaldar. Além disso, a cadeira Panton é um objeto de sentar. Isso se dá devido ao fato de que todas as suas medidas, ângulos, linhas, reentrâncias e volumes, foram estudados para que o corpo humano se adapte, e se encaixe, moldando-se de forma completa e perfeita ao contorno da mesma.

Se a cadeira é o objeto de desejo de todos os  designers, Panton, conseguiu a façanha de criar a mais bela e funcional de  todas. Só o "enfant terrible" do Design poderia conseguir. E suas palavras refletem bem o que foi o seu criativo  e revolucionario trabalho:

" A maioria das pessoas passam suas vidas vivendo morosamente em tons de bege, com medo de usar e viver as cores. O principal  objetivo do meu trabalho é provocar as  pessoas a usar sua imaginação e fazer do seu entorno e suas vidas algo mais  emocionante."

"Fonte", de Marcel Duchamp

"Fonte", de Marcel Duchamp - 1917



Descrição da imagem:

"Fountaine" ou "Fonte", de 1917/1964, Ready-made, é um urinol invertido (de cabeça para baixo) de porcelana, com  23,5 x 18 cm, altura 60 cm. Milão, Coleção de Arturo Schwartz. Trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado,  comprado numa loja de construção. Duchamp compara a peça com a projeção de Buda. Olhando bem de perto, parece mesmo com a imagem dele.  Entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.

Marcel Duchamp (1889 - 1968) é um dos artistas mais influentes da contemporaneidade. Irreverente, confrontou-se com os estilos de sua época e declarou a arte como um experimento.  Além disso, Duchamp criou o ready-made , a arte de recriar em cima de obras já existentes.

Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte.

Duchamp enfatizava, muito antes de virar moda o discurso da acessibilidade,e dizia que  para pessoas com necessidades especiais, seria necessário romper com a "arte retiniana", ou seja, a arte que percebemos essencialmente pela retina, pois pessoas cegas ou com glaucoma espiritual não poderiam ter acesso aos seus conteúdos -e, no final das contas, uma imagem sempre diz muito mais do que seu recado imediato nos faz supor. A idéia era que a arte deveria ser, sobretudo, uma idéia, e não uma forma. O urinol que Marcel Duchamp mandou para o Salão dos Independentes, em Nova York (1917), completou 90 anos e foi eleito a obra mais importante de tudo o que se produziu em artes plásticas no século XX.  Na verdade, o urinol de parede, que Duchamp intitulou de "Fonte" e assinou como sendo de R. Mutt, produzido pela J. L. Motta Iron Works Company, nem chegou a ser exibido naquele salão, porque foi censurado e a peça original, relegada, desapareceu.

A obra é considerada fundadora da contemporaneidade, portanto, não existiu, foi uma simples idéia e que permaneceu "in absentia" até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. Em 1990, a Tate Galery pagou um milhão de libras por uma dessas cópias.

Embora Duchamp dissesse que o urinol era apenas um urinol, um objeto deslocado de suas funções, alguns críticos, como George Dickie, começaram a ver nessa porcelana as mesmas virtudes plásticas das obras de Brancusi.  Outros críticos, -já que o urinol havia desaparecido, começaram a ver na fotografia do mesmo feita por Stieglitz uma referência à deusa Vênus, que surgiu das águas.  Alguns considerando bem a fotografia do urinol concluíram que ali estava projetada a efígie de Nossa Senhora.  Já a mulher do músico de vanguarda Eduardo Varese sustentava que o urinol era a reprodução da imagem de Buda.

Duchamp, embora dissesse que o artista não deve se repetir, mandou fazer várias réplicas desse urinol para vender para museus, e confeccionou uma caixa portátil com miniaturas de suas obras para vender também para museus e colecionadores.

Curiosidades:

- Em 1993, numa exposição em Nymes, o artista francês Pierre Pinnocelli se aproximou de um dos urinóis de Duchamp e decidiu se "apropriar" da obra, primeiro urinando nela e dizendo que o fato de ter urinado nela a obra de Duchamp agora lhe pertencia.  Depois de ter urinado no urinol, Pinnocelli, pegou um martelo e quebrou a obra de Duchamp com o argumento de que agora a obra era dele, ele havia se "apropriado" conceitualmente dela. Ele foi processado pelo estado francês que lhe exigiu uma hipoteca de 300.000 francos e que a questão deixou de ser estética para ser policial e até o Ministro da Justiça e da Cultura na França tiveram que opinar.  O mesmo Pinnocelli em 2005, obcecado pelo urinol, insistindo que o urinol é de quem "intervem" nele, atacou a marteladas a cópia dessa obra no Beaubourg, em Paris, o que provocou novos problemas com a polícia;

- Duchamp dizia que o nome "Mutt" que botou no urinol, como sendo o do pretenso autor (que era ele mesmo) era uma homenagem aos personagens em quadrinho- Mutt e Jeff.  Mesmo assim Jean Clair- considerado o maior critico francês da atualidade-, prefere entender que "Mutt" remete para uma gíria em inglês significando "imbecil" e que o pseudônimo "R. Mutt" lembra "armut, que em alemão significa "indigência", "penúria";

- Calvin Tomkins-o biógrafo de Duchamp acha que aquele urinol é a imagem que Duchamp tinha da mulher como receptáculo do líquido masculino, em consonância com os futuristas italianos que diziam que a mulher era um "urinol de carne".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vestido Mondrian, de Yves Saint Laurent

Quadro "Composição com Vermelho, Amarelo e Azul", de Piet Mondrian - 1921 e Vestido Mondrian, de Yves Saint Laurent - 1965


Descrição da imagem:

À esquerda, a imagem do quadro de Mondrian (já descrito no post anterior). À direita, a criação do Vestido de Saint Laurent, inspirada na referida obra, do artista holandês.
O vestido é feito em jersey (tecido antes usado para confecção de camisas pólo, e que ganhou fama nos anos 20, pelas mãos da estilista Coco Chanel, ao criar uma coleção inteira, com este material). A silhueta do vestido é a linha tubo, próxima ao corpo, sem mangas, decote careca e barra da saia na altura do joelho. A estampa, com a pintura da tela de Mondrian, foi aplicada na parte frontal do vestido, ampliada e concentrando-se na região do maior retângulo vermelho e localizada  entre o busto e o quadril.




O Vestido Mondrian é um marco no mundo da moda.  Esse vestido tubinho inspirado em um dos trabalhos do pintor holandês Piet Mondrian foi criado em 1965 por Yves Saint Laurent. Feito em Jersey, sua estampa de cores primárias foi inspirado no quadro "Composição com Vermelho, Amarelo e Azul", de Mondrian.

O sucesso foi absoluto e se tornou um dos vestidos mais famosos da história da moda e do mundo. A influência de linhas verticais e horizontais, as cores primárias de Mondrian se expandiu por todas as artes, foi muito importante na decoração, inspirou também todo tipo de suvenir. É importante lembrar que esse vestido marcou uma nova era... Onde as artes plásticas e seus pintores famosos passam a inspirar a moda e a moda passa a ser vista também com uma forma de arte.

O vestido, da coleção de 1965,  se tornou um ícone da Alta Costura dos anos 60 estreitando os laços entre a moda e a arte  moderna.
O vestido é, vez ou outra, reproduzido pela grife e levado pelo movimento que começa a se disseminar hoje colocando Mondrian de novo em alta. As linhas simplificadas, limpas e baseadas em geometrismos, focadas na funcionalidade e na harmonia dos planos, ao mesmo tempo, estão de volta à moda, seja nas roupas, na decoração ou no design de uma forma geral.