quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cadeira Panton, de Verner Panton

"Panton Chair", de Verner Panton - 1960



Descrição da imagem:

Feita de fibra de vidro com acabamento de pintura automotiva, sua forma expressiva a tornou-se  um verdadeiro ícone do design do século 20 e da Pop  Art. A Cadeira Panton, feita em forma S, é versátil , leve e confortável , e muda de papel conforme a necessidade do momento: passa de cadeira à mesa e vai até onde a imaginação de cada um alcançar. É feita com um bloco único de polietileno (plástico moldado), que se apresenta tal qual uma escultura totalmente limpa, com acabamento liso dos dois lados e pintura automotiva,  em cores marcantes. Quando justapostos, na posição de poltrona , os módulos podem compor sofás.



Há cerca de 50 anos atrás um dinamarquês nascido na cidade de Gamtofte produziu peças que ainda hoje têm como principal característica a inovação.  Verner Panton (1926-1998) é sinônimo de vanguarda  e foi expert em criar um mobiliário lúdico e novo num período em que o mundo atravessava a era pré-tecnológica, sendo também um precursor da revolução pop no mobiliário cool da época.

O designer utilizou como matéria prima para seu trabalho materiais como o plástico, o poliuretano e a espuma. Queria quebrar a frieza e rigidez do ferro e tornar o mobiliário mais engraçado. Para ele, era "inconcebível sentar num sofá bege e quadrado".

Algumas de suas peças, como a conhecida "Panton Chair", desafiaram a lei da gravidade e ainda hoje causam admiração e espanto. A Cadeira Panton, foi a primeira cadeira produzida em plástico, sendo ela uma peça inteira, contínua. Unidade em forma e material. Foi criada em 1960, ganhou vários prêmios de design e faz parte de diversas coleções em museus renomados em todo o mundo.

Verner Panton rompeu com a tradição dinamarquesa de linhas simples  puro e elegante em móveis de madeira, e experimentou com materiais coloridos e novos. Ele era um artesão que usou o plástico e o metal para criar objetos com um olhar mais internacional. É o exemplo perfeito de se estar no local exato, na época exata. A liberdade da cadeira Panton representava justamente o que os anos 60 pregavam.

De todas as cadeiras históricas a Panton é a unica realmente diferente de todas, isso se dá porque, além da sua forma inusitada: E inteiriça, não há separação entre o assento, a estrutura de apoio e o espaldar. Além disso, a cadeira Panton é um objeto de sentar. Isso se dá devido ao fato de que todas as suas medidas, ângulos, linhas, reentrâncias e volumes, foram estudados para que o corpo humano se adapte, e se encaixe, moldando-se de forma completa e perfeita ao contorno da mesma.

Se a cadeira é o objeto de desejo de todos os  designers, Panton, conseguiu a façanha de criar a mais bela e funcional de  todas. Só o "enfant terrible" do Design poderia conseguir. E suas palavras refletem bem o que foi o seu criativo  e revolucionario trabalho:

" A maioria das pessoas passam suas vidas vivendo morosamente em tons de bege, com medo de usar e viver as cores. O principal  objetivo do meu trabalho é provocar as  pessoas a usar sua imaginação e fazer do seu entorno e suas vidas algo mais  emocionante."

"Fonte", de Marcel Duchamp

"Fonte", de Marcel Duchamp - 1917



Descrição da imagem:

"Fountaine" ou "Fonte", de 1917/1964, Ready-made, é um urinol invertido (de cabeça para baixo) de porcelana, com  23,5 x 18 cm, altura 60 cm. Milão, Coleção de Arturo Schwartz. Trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado,  comprado numa loja de construção. Duchamp compara a peça com a projeção de Buda. Olhando bem de perto, parece mesmo com a imagem dele.  Entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.

Marcel Duchamp (1889 - 1968) é um dos artistas mais influentes da contemporaneidade. Irreverente, confrontou-se com os estilos de sua época e declarou a arte como um experimento.  Além disso, Duchamp criou o ready-made , a arte de recriar em cima de obras já existentes.

Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte.

Duchamp enfatizava, muito antes de virar moda o discurso da acessibilidade,e dizia que  para pessoas com necessidades especiais, seria necessário romper com a "arte retiniana", ou seja, a arte que percebemos essencialmente pela retina, pois pessoas cegas ou com glaucoma espiritual não poderiam ter acesso aos seus conteúdos -e, no final das contas, uma imagem sempre diz muito mais do que seu recado imediato nos faz supor. A idéia era que a arte deveria ser, sobretudo, uma idéia, e não uma forma. O urinol que Marcel Duchamp mandou para o Salão dos Independentes, em Nova York (1917), completou 90 anos e foi eleito a obra mais importante de tudo o que se produziu em artes plásticas no século XX.  Na verdade, o urinol de parede, que Duchamp intitulou de "Fonte" e assinou como sendo de R. Mutt, produzido pela J. L. Motta Iron Works Company, nem chegou a ser exibido naquele salão, porque foi censurado e a peça original, relegada, desapareceu.

A obra é considerada fundadora da contemporaneidade, portanto, não existiu, foi uma simples idéia e que permaneceu "in absentia" até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. Em 1990, a Tate Galery pagou um milhão de libras por uma dessas cópias.

Embora Duchamp dissesse que o urinol era apenas um urinol, um objeto deslocado de suas funções, alguns críticos, como George Dickie, começaram a ver nessa porcelana as mesmas virtudes plásticas das obras de Brancusi.  Outros críticos, -já que o urinol havia desaparecido, começaram a ver na fotografia do mesmo feita por Stieglitz uma referência à deusa Vênus, que surgiu das águas.  Alguns considerando bem a fotografia do urinol concluíram que ali estava projetada a efígie de Nossa Senhora.  Já a mulher do músico de vanguarda Eduardo Varese sustentava que o urinol era a reprodução da imagem de Buda.

Duchamp, embora dissesse que o artista não deve se repetir, mandou fazer várias réplicas desse urinol para vender para museus, e confeccionou uma caixa portátil com miniaturas de suas obras para vender também para museus e colecionadores.

Curiosidades:

- Em 1993, numa exposição em Nymes, o artista francês Pierre Pinnocelli se aproximou de um dos urinóis de Duchamp e decidiu se "apropriar" da obra, primeiro urinando nela e dizendo que o fato de ter urinado nela a obra de Duchamp agora lhe pertencia.  Depois de ter urinado no urinol, Pinnocelli, pegou um martelo e quebrou a obra de Duchamp com o argumento de que agora a obra era dele, ele havia se "apropriado" conceitualmente dela. Ele foi processado pelo estado francês que lhe exigiu uma hipoteca de 300.000 francos e que a questão deixou de ser estética para ser policial e até o Ministro da Justiça e da Cultura na França tiveram que opinar.  O mesmo Pinnocelli em 2005, obcecado pelo urinol, insistindo que o urinol é de quem "intervem" nele, atacou a marteladas a cópia dessa obra no Beaubourg, em Paris, o que provocou novos problemas com a polícia;

- Duchamp dizia que o nome "Mutt" que botou no urinol, como sendo o do pretenso autor (que era ele mesmo) era uma homenagem aos personagens em quadrinho- Mutt e Jeff.  Mesmo assim Jean Clair- considerado o maior critico francês da atualidade-, prefere entender que "Mutt" remete para uma gíria em inglês significando "imbecil" e que o pseudônimo "R. Mutt" lembra "armut, que em alemão significa "indigência", "penúria";

- Calvin Tomkins-o biógrafo de Duchamp acha que aquele urinol é a imagem que Duchamp tinha da mulher como receptáculo do líquido masculino, em consonância com os futuristas italianos que diziam que a mulher era um "urinol de carne".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vestido Mondrian, de Yves Saint Laurent

Quadro "Composição com Vermelho, Amarelo e Azul", de Piet Mondrian - 1921 e Vestido Mondrian, de Yves Saint Laurent - 1965


Descrição da imagem:

À esquerda, a imagem do quadro de Mondrian (já descrito no post anterior). À direita, a criação do Vestido de Saint Laurent, inspirada na referida obra, do artista holandês.
O vestido é feito em jersey (tecido antes usado para confecção de camisas pólo, e que ganhou fama nos anos 20, pelas mãos da estilista Coco Chanel, ao criar uma coleção inteira, com este material). A silhueta do vestido é a linha tubo, próxima ao corpo, sem mangas, decote careca e barra da saia na altura do joelho. A estampa, com a pintura da tela de Mondrian, foi aplicada na parte frontal do vestido, ampliada e concentrando-se na região do maior retângulo vermelho e localizada  entre o busto e o quadril.




O Vestido Mondrian é um marco no mundo da moda.  Esse vestido tubinho inspirado em um dos trabalhos do pintor holandês Piet Mondrian foi criado em 1965 por Yves Saint Laurent. Feito em Jersey, sua estampa de cores primárias foi inspirado no quadro "Composição com Vermelho, Amarelo e Azul", de Mondrian.

O sucesso foi absoluto e se tornou um dos vestidos mais famosos da história da moda e do mundo. A influência de linhas verticais e horizontais, as cores primárias de Mondrian se expandiu por todas as artes, foi muito importante na decoração, inspirou também todo tipo de suvenir. É importante lembrar que esse vestido marcou uma nova era... Onde as artes plásticas e seus pintores famosos passam a inspirar a moda e a moda passa a ser vista também com uma forma de arte.

O vestido, da coleção de 1965,  se tornou um ícone da Alta Costura dos anos 60 estreitando os laços entre a moda e a arte  moderna.
O vestido é, vez ou outra, reproduzido pela grife e levado pelo movimento que começa a se disseminar hoje colocando Mondrian de novo em alta. As linhas simplificadas, limpas e baseadas em geometrismos, focadas na funcionalidade e na harmonia dos planos, ao mesmo tempo, estão de volta à moda, seja nas roupas, na decoração ou no design de uma forma geral.

Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, de Piet Mondrian

"Composição com Vermelho, Amarelo e Azul", de Piet Mondrian - 1921


Descrição da imagem:

Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, é um  óleo sobre tela, que mede 59,5 x 59,5 centímetros e pertence ao Haags  Gemeentemuseum, que mantém o Museu Escher, localizado em Haia, na Holanda.
 Atela, um quadrado perfeito, exibe um cruzamento de linhas, em ângulos retos, na vertical e horizontal, que formam compartimentos assimétricos.
Dos oito compartimentos formados pelas linhas negras, cinco são variações de luz. Nos dois extremos da variação do quadro, um retângulo (em altura) vermelho e outro (em largura) azul. Vermelho (quente), azul (frio) são os registros das variações (brancos quentes e frios) que culminam no retângulo (em altura) amarelo, a zona mais luminosa do quadro. Sem as linhas pretas as cores se tocariam, influenciando umas nas outras. Não deve existir uma relação de força e sim relações métricas proporcionais.




Pieter Cornelis Mondrian (1872-1944), artista plástico, holandês, fundador do "Neoplasticismo", movimento que se organiza em torno da necessidade de clareza, certeza e ordem.  Tem como propósito central encontrar uma nova forma de expressão plástica, liberta de sugestões representativas e composta a partir de elementos mínimos.


O estilo artístico de Mondrian se caracteriza pelo trabalho com obras abstratas geométricas, principalmente trabalhando com formatos retangulares nas cores primárias: vermelho, azul, branco, preto e amarelo, que Mondrian considerava como as cores elementares do Universo.
A aplicação de suas teorias conduziu Mondrian a realizar obras como Composição em vermelho, amarelo e azul (1921), na qual a pintura, composta unicamente por algumas linhas e blocos de cores bem equilibrados, cria um efeito monumental apesar da escassez de meios, propositalmente limitados, que emprega.


Essa fase de sua obra, a mais popularmente difundida, se caracteriza por pinturas cujas estruturas são definidas por linhas pretas ortogonais (o uso de diagonais induziria a percepção a ver profundidade na tela e motivou o rompimento de sua amizade com Theo Van Doesburg). Essas linhas definem espaços que se relacionam de diferentes modos com os limites da pintura, e que podem ou não serem preenchidos com uma cor primária: amarelo, azul e vermelho, decisão que mostra sua estreita relação com as teorias estéticas da Bauhaus e da Escola de Ulm, e que definem pesos visuais diferentes para esses espaços. Os blocos de cor, pintados de modo fosco e distribuídos assimetricamente, reforçam a idéia de um movimento
superficial que se estende perpetuamente, indicando que o pintor investia na percepção de sua obra como uma abstração materialista e sem profundidade, criticando a pintura histórica enquanto produzia uma abstração racionalista, espiritualista e sobretudo concreta do mundo.


Sua obra, muitas vezes copiada, continua a inspirar a arte, o design, a moda e a publicidade que a apropriam como design, sem necessariamente levar em conta sua fundamental e filosófica recusa à imagem.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Busto de Nefertiti, de Tutmés

"Busto de Nefertiti", De Tutmês - 1345 a. C.

Descrição da imagem:

O busto de Nefertiti, que tem quase 3.400 anos e mede cerca de 50 centímetros de altura, foi encontrado em estado quase perfeito, somente os lóbulos das orelhas estavam lascados. Trata-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea inscrustrada.  Supõe-se que esta teria desprendido quando o busto foi encontrado, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada (por motivos místicos) para não causar inveja as deusas do Egito. 
O busto de Nefertite foi talhado em várias etapas sobre uma base de pedra calcária coberta por capas de estuque de diferentes espessuras e tem fissuras nos ombros, na zona inferior e na parte traseira da coroa.
A imagem do busto é alongada, o rosto é muito simétrico, com maçãs proeminentes e nariz perfeito. a pele é delicada e morena,  sem marcas de expressão ou rugas, olhos bem  marcados e  delineados com maquiagem escura, boca suave no tom da pele. Na cabeça, aparentemente raspada(hábito comum entre os egípcios antigos) está situada uma coroa azul, símbolo da nobreza. No colo apresenta uma gargantilha, que circunda todo o pescoço, colorida e com motivos gráficos.
Num  contexto geral, a escultura exibe uma expressão de jovialidade e com padrão de beleza equivalente, senão superior, ao das mulheres mais belas da época.


Nefertiti (c. 1380 - 1345 a.C.), mais conhecida como "Rainha do Nilo", foi  uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito , esposa principal do faraó Amen-hotep IV , mais conhecido  como Akhenaton .
O nome Nefertiti  significa "a mais Bela chegou".

Uma equipe de arqueólogos alemães , liderada por Ludwig Borchardt, descobriu o busto em 1912 , no ateliê de Tutmóses em Amarna , no Egito, e ele foi desde então mantido em diversas localidades da Alemanha .  Atualmente está em exposição no Neues Museum , em Berlim, onde era exibido antes da Segunda Guerra Mundial.

O busto de Nefertiti se tornou um símbolo cultural da capital alemã, bem como do Egito Antigo. Também é tema de uma intensa discussão entre os dois países, em vista da exigência das autoridades egípcias por sua
devolução. Existem também controvérsias envolvendo sua autenticidade.

Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose . O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras.


Curiosidades:

- Ao ser encontrado, o busto foi contrabandeado para fora do país, disfarçado como fragmentos de cerâmica quebrada;
- Nefertiti  foi a mais importante rainha do faraó Amen-Hotep, que governou o Egito de 1353 a 1335 a.C. Durante o reinado, o faraó mudou o próprio nome para Akhenaton - "o que serve a Aton, o Deus-Sol" - e adotou uma nova religião, monoteísta, que enfatilizava a ética;
- Nefertiti recebeu um  elevado status, quase igual ao de seu marido. Alguns estudiosos acreditam que ela era a força por trás da nova religião e que governou como co-regente durante algum tempo. Após a morte de Akhenaton, quase todos os traços dele e de sua poderosa esposa foram apagados, talvez pelos sacerdotes cuja religião os dois rejeitaram.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Basílica da Sagrada Família, de Gaudí

"Basílica da Sagrada Família", De Galdi - 1882

Descrição da imagem: A imagem apresenta a visão frontal da Sagrada Família, com a Fachada da Natividade.  Esta fachada apresenta uma decoração exultante onde todos os elementos são evocadores da vida. Centra-se na faceta mais humana e familiar de Jesus, com uma ampla profusão de elementos populares, como ferramentas e animais domésticos. Está dividida em três pórticos, dedicados às virtudes teologais: da Esperança à esquerda, da Fé à direita, e da Caridade no centro, com a Porta de Jesus e terminada pela Árvore da Vida. A fachada culmina com as torres-campanário dedicadas a São Matias , São Judas Tadeu , São Simão e São Barnabé . Os pórticos estão separados por duas grandes colunas: a de José entre o pórtico da Esperança e o da Caridade, e a de Maria, entre o pórtico da Caridade e o da Fé. Na base das colunas está representada uma tartaruga (uma de terra e uma de mar) como símbolo do inalterável no tempo; os fustes erguem-se em espiral , enquanto os capitéis são em forma de folhas de palma , das quais surgem cachos de tâmaras cobertos de neve (pelo Inverno, data da natividade de Jesus), que dão apoio a dois anjos com trompetes que simbolizam a Anunciação. Em contraste com as tartarugas, de ambos os lados da fachada situaram-se camaleões, símbolos da mudança.




A Basílica da Sagrada Família  , é um grande templo católico da cidade de Barcelona ( Espanha ), desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí , e considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arquitetura modernista. Financiado unicamente por contribuições privadas, o projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883. 
A Sagrada Família  É uma das mais  famosas obra-primas inacabadas do mundo, e os críticos dizem que a versão final do edifício de Gaudi vai parecer muito pouco com o projeto original. Gaudí se recusou de desenhar todo o projeto durante a construção e preferiu fazer alterações com a obra em andamento. Os desenhos originais, durante a Guerra Civil espanhola ( período em que a construção foi suspensa) foram muito estragados pelos anarquistas. Gaudí passou 40 anos supervisionando o trabalho no edifício, e quando morreu, em 1926, a igreja estava longe de terminar. Jordi Bonet, ajudado por um escultor e uma equipe de 40 empregados, passou a realizar o trabalho de terminar o edifício após a morte de Gaudí.
Quando Gaudí começou a dirigir a construção do templo, somente estava construída a cripta, na qual modificou os capitéis , que passaram de ser em estilo coríntio a outro estilo inspirado em motivos vegetais. Gaudí evolucionou desde o primeiro projeto neogótico para o seu estilo particular naturalista, orgânico, adaptado à natureza. Uma das suas fontes de inspiração foi a Caverna do Salnitre em Collbató (Barcelona).
Ele opinava que o gótico era imperfeito, porque as suas formas retas, o seu sistema de pilares e arcobotantes não refletia as leis da natureza, que segundo ele é propensa às formas geométricas regradas. As superfícies regradas são formas geradas por uma reta, denominada geratriz, ao se deslocar sobre uma linha ou várias, denominadas diretrizes. Gaudí as achou em abundância na natureza, como por exemplo, em juncos , canas ou ossos; dizia que não existe melhor estrutura do que um tronco de árvore ou um esqueleto humano. Estas formas são ao mesmo tempo funcionais e estéticas, e Gaudí empregou-as adaptando a linguagem da natureza às formas estruturais da arquitetura, aproveitando as suas qualidades estruturais, acústicas e de difusão da luz.

"A Basílica da Sagrada Família é uma síntese admirável entre técnica, arte e fé. A obra de Gaudí  mostra-nos que Deus é a  verdadeira medida do homem" (Papa Bento XVI).

Curiosidades:
- Gaudí assumiu a obra em 1883 , aos seus 31 anos de idade.   dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva;
- A construção foi suspensa em 1936 devido à Guerra Civil Espanhola e não se estima a conclusão para antes de 2026 , centenário da morte de Gaudí;
- A Fachada da Natividade foi eleita por Gaudí para dar uma perceção global da estrutura e decoração do templo. Como era consciente de que não poderia terminar o projeto no decurso da sua vida, em vez de ir construindo o templo no seu conjunto de jeito linear preferiu construir uma fachada completa em toda a sua verticalidade, para dar uma amostra completa de como devia ser o resto. Escolheu esta fachada por ser, em sua opinião, a que poderia ser mais atraente para o público, fomentando assim a continuação da obra após a sua morte; nas suas próprias palavras:
"Se em vez de fazer esta fachada decorada, ornamentada, turgente, começasse pela da Paixão, dura, pelada, como feita de ossos, as pessoas ter-se-iam retraído".


domingo, 4 de dezembro de 2011

O Grito, de Edvard Munch


"O Grito", de Edvard Munch - 1893

Descrição da Imagem:  É uma pintura, tipo óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão. Mede 83.5 x 66 centímetros.Vemos ao fundo um céu de cores quentes, como se fossem lavas de um vulcão, em oposição ao rio em azul, (cor fria), que sobe acima do  horizonte, assemelhando-se a uma  língua de vidro. Vemos que a figura humana também está em cores  frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário, uma aparência andrógina, que denota a possibilidade de poder ser qualquer pessoa. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura e se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras humanas (seus amigos) que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, o que não se modificou (supostamente seus amigos e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.




          O Grito (no original Skrik ) é uma pintura do norueguesa Edvard Munch, datada de 1893 e está localizada na Galeria nacional de Oslo, na Noruega. A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo ) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Esta imagem talvez seja a mais importante do Expressionismo, no mínimo a mais conhecida de Munch. A obra é inspirada na própria vida pessoal do pintor, suas tristezas, angústias profundas, sua história de vida e desencontros. Há uma citação, de um suposto diário, que ele escrevia, que fundamentaria como se deu, a possível inspiração para a obra: 
                    
"Passeava  com dois amigos ao pôr-do-sol. O céu ficou de súbito vermelho-sangue. Parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação, havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade. Os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade e senti o grito infinito da Natureza".

              O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia. A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, o regime nazi classificou Munch como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.
          A dor do grito está presente não só na personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

Curiosidades:

- A possível fonte de inspiração para esta figura humana estilizada pode ter sido uma  múmia peruana que Munch viu na exposição universal de Paris em 1887;
- Depois da Revolução Cultural Chinesa , Munch foi o primeiro artista ocidental cujas obras foram exibidas na Galeria Nacional de Pequim ;
- Alguns historiadores de arte consideram que o tom avermelhado de fundo no quadro O Grito, reflete o efeito na atmosfera ao entardecer, depois da erupção do vulcão da Indonésia Cracatoa em 1883 ;
- O quadro O Grito foi roubado diversas vezes. Em 31 de Agosto de 2006 a polícia norueguesa anunciou ter reencontrado em condições normais.