domingo, 4 de dezembro de 2011

O Grito, de Edvard Munch


"O Grito", de Edvard Munch - 1893

Descrição da Imagem:  É uma pintura, tipo óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão. Mede 83.5 x 66 centímetros.Vemos ao fundo um céu de cores quentes, como se fossem lavas de um vulcão, em oposição ao rio em azul, (cor fria), que sobe acima do  horizonte, assemelhando-se a uma  língua de vidro. Vemos que a figura humana também está em cores  frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário, uma aparência andrógina, que denota a possibilidade de poder ser qualquer pessoa. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura e se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras humanas (seus amigos) que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, o que não se modificou (supostamente seus amigos e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.




          O Grito (no original Skrik ) é uma pintura do norueguesa Edvard Munch, datada de 1893 e está localizada na Galeria nacional de Oslo, na Noruega. A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo ) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Esta imagem talvez seja a mais importante do Expressionismo, no mínimo a mais conhecida de Munch. A obra é inspirada na própria vida pessoal do pintor, suas tristezas, angústias profundas, sua história de vida e desencontros. Há uma citação, de um suposto diário, que ele escrevia, que fundamentaria como se deu, a possível inspiração para a obra: 
                    
"Passeava  com dois amigos ao pôr-do-sol. O céu ficou de súbito vermelho-sangue. Parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação, havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade. Os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade e senti o grito infinito da Natureza".

              O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia. A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, o regime nazi classificou Munch como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.
          A dor do grito está presente não só na personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

Curiosidades:

- A possível fonte de inspiração para esta figura humana estilizada pode ter sido uma  múmia peruana que Munch viu na exposição universal de Paris em 1887;
- Depois da Revolução Cultural Chinesa , Munch foi o primeiro artista ocidental cujas obras foram exibidas na Galeria Nacional de Pequim ;
- Alguns historiadores de arte consideram que o tom avermelhado de fundo no quadro O Grito, reflete o efeito na atmosfera ao entardecer, depois da erupção do vulcão da Indonésia Cracatoa em 1883 ;
- O quadro O Grito foi roubado diversas vezes. Em 31 de Agosto de 2006 a polícia norueguesa anunciou ter reencontrado em condições normais.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

David, de Michelangelo

"David", de Michelangelo - 1504


Descrição da imagem:
Uma estátua, de um homem jovem, em pé, de mármore branco, corpo bem definido,  despido e cabelos curtos encaracolados. O braço direito está relaxado, para baixo, até a altura da coxa direita. A perna direita possui um pequeno pedestal, que serve de apoio para a sustentação da escultura. O braço esquerdo, está inclinado para cima, tocando o ombro esquerdo, e tem sobre ele, uma pequena toalha. A cabeça está levemente voltada para cima e para o lado esquerdo e sua face contempla o horizonte.




O post de estréia deste blog, começará com uma homenagem a uma das obras de arte, mais apreciadas e visitadas do mundo, tamanha a sua perfeição e delicadeza colossal.
   
O "David" é uma das esculturas mais famosas do mestre renascentista Michelangelo Buonarotti. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatômico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura encontra-se em Florença ,  na Itália , cidade que originalmente encomendou a obra.

É uma estátua em mármore, mede 5,17 m (cinco metros e dezessete centímetros) e pesa 5,5 toneladas. Devido à genialidade que sempre foi atribuída à obra, ela foi escolhida como símbolo máximo da República de Florença.

Michelangelo levou três anos para concluir a escultura (começou-a em 1501 e concluiu-a em 1504). Antes de Michelangelo receber a incumbência dessa obra, o bloco de mármore de carrara que ele usou havia ficado exposto ao tempo por 25 anos no pátio da catedral de Santa Maria del Fiore. O bloco foi danificado a ponto de diminuir de tamanho. Outros escultores já haviam recebido a incumbência da obra mas, por razões diversas, eles não se interessaram. Esse bloco foi rejeitado por grandes mestres como Duccio, Baccelino e Roselino .

Foi desse mesmo bloco que Michelangelo fez brotar o David. O local que estava danificado, foi usado pelo mestre como a região em que não existe mármore(entre as pernas do herói bíblico).

Michelangelo é considerado nesta obra uma espécie de inovador, pois retrata a personagem não após a batalha contra Golias (como Donatello e Verrochio antes dele fizeram), mas no momento imediatamente anterior a ela, quando David está apenas se preparando para enfrentar uma força que todos julgavam ser impossível de derrotar.

Usou, neste trabalho, o realismo do corpo nu e o predomínio das linhas curvas.  O David ficou exposto na Piazza della Signoria até 1873, quando se decidiu colocá-la a salvo de agentes atmosféricos que, vagarosamente a destruíam. Foi então levada para a Galleria dell'Accademia onde pode ser admirada atualmente. Uma restauração em 2004, em que um polimento minucioso foi executado na escultura, removeu as manchas que os séculos de exposição provocaram no mármore e deixou a obra com todo o brilho que ela apresentava quando de sua criação.

Davi, simplesmente perpetua a liberdade, a pureza, a magnitude de uma obra que nos deixa perplexos.

Curiosidades:

- Houve uma verdadeira batalha para se decidir qual o método de limpeza a ser usado para restauração da obra.
- Como esteve ao ar livre por alguns séculos, seus "poros" foram abertos e a poeira alojou-se em toda a extensão do mármore.
- A grande ameaça era o gypsum, um sulfato de cálcio que acumula a umidade.
- Depois de terminar a obra, Michelangelo passou quatro meses lustrando o mármore.
- Em 1527 o braço esquerdo do David foi quebrado em um motim. A cicatriz do restauro é visível até hoje.
- Em 1991 um "artista" chamado Piero Cannato deu uma martelada num dos dedões da obra mutilando-a.
- No século XVI guardiões da moral resolveram acrescentar uma tanga de metal feita de 28 folhas de figo à nudez da obra.
- Em 1995 autoridades religiosas de Jerusalém recusaram uma réplica em tamanho natural do David, presente da cidade de Firenze. Por acreditarem ser agressiva sua nudez exigiam que ela fosse coberta.
- Em Firenze, se arme de muita paciência, encare uma fila sempre enorme e se encante com o espetáculo que é a Galleria dell'Accademia. Uma vez lá dentro admire uma das obras mais impressionantes criadas por Michelangelo. É proibido tirar fotos e os vigias estão de olho para, sem o menor constrangimento, se dirigir hostilmente a quem desobedece a essa norma.