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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Abaporu, de Tarsila do Amaral


Abaporu, 1928 - Tarsila do Amaral

Abaporu é uma pintura, óleo sobre tela, com oitenta e cinco centímetros de altura por setenta  e três centímetros de largura. Está localizada no Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (MALBA), na Argentina. É datada de 1928 e considerada símbolo do Movimento Modernista Brasileiro. Tarsila do Amaral, retratava a brasilidade moderna e colorida. Abaporu  é sua obra mais representativa e uma das brasileiras mais valiosas no mercado de arte internacional. Alguns críticos sugerem que Abaporu, seria uma reescritura de O Pensador, de Auguste Rodin. O quadro apresenta Uma figura solitária, monstruosa, pés imensos, sentada numa planície verde, o braço dobrado num joelho, a mão sustentando a peso-pena da cabecinha-minúscula. Em frente, um cactus explodindo em uma enorme flor. Ao fundo, o céu azul, e o sol, um círculo amarelo, entre a figura e o cactus, de cor esverdeada. Essas cores, parecem remeter, intencionalmente, as cores da bandeira brasileira.  Tarsila valorizou o trabalho braçal ( corpo grande ) e desvalorizou o trabalho mental (cabeça pequena) na obra,pois era o trabalho braçal que tinha maior impacto naquela época.   Essa representação, sugere o homem plantado na terra. É a figura de pés grandes, plantados no chão brasileiro, sugerindo a idéia da terra,  do homem nativo, selvagem, antropófago, como o próprio nome Abaporu indica, em sua tradução, do tupi-guarani, homem que come carne  humana.


domingo, 1 de julho de 2012

Áudio-descrição da pintura "Barco com Bandeirinhas e Pássaros" de Alfredo Volpi


Em homenagem ao período de Festas Juninas, e à forte  tradição, muito comemorada no  nordeste brasileiro, compartilho a áudio-descrição desta pintura, do artista Alfredo Volpi,  tão emblemático  pelas composições  de  "bandeirinhas", em suas obras.

Escolhi esta tela, em especial, pela sua representação lúdica, que transmite a sensação de alegria e leveza,  e claro, porque as bandeirinhas não poderiam faltar, afinal, é Festa de  São João!


Notas sobre a obra

A imagem áudio-descrita é uma fotografia colorida com dimensões de aproximadamente 11 por 15 centímetros em formato paisagem. A obra "Barco com Bandeirinhas e Pássaros", do  artista italo-brasileiro Alfredo Volpi, é uma têmpera sobre tela, com 54,2 centímetros de altura por 73 centímetros de largura. É considerada do movimento Modernista, datada de 1955 e pode ser apreciada no  Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Embora tenha nascido na Itália , Alfredo Volpi imigrou ao Brasil com 2 anos de idade e sempre dizia que seu coração era brasileiro. O pintor adorava misturar cores em telas com essência geométrica.  Na obra "Barco com Bandeirinhas e Pássaros", percebe-se bem estas paixões de Volpi. A pintura é vívida, alegre, rítmica e leve; com cores misturadas. As bandeirinhas, claro, estão presentes. O pintor brasileiro também usa os pássaros para dar uma impressão de movimento ao barco.

A ideia de pintar bandeirinhas veio de uma vez em que Volpi estava com sua mulher passeando em um sítio no interior de São Paulo. Era época de Festa Junina e o espírito observador do artista o fez incorporar as bandeirinhas em seu trabalho. O próprio  Volpi anuncia esta fase da seguinte maneira:

"A gente se desliga e então  só passa a existir o problema da linha, forma e cor. Minhas bandeirinhas não são bandeirinhas; são só o problema das bandeirinhas".


"Barco com Bandeirinhas e Pássaros", de Alfredo Volpi - 1955

Áudio-descrição

A imagem apresenta um barco, em perspectiva lateral, sobre fundo  azulado. O casco do barco, em tom esverdeado, tem formato oval, partido ao meio. O barco está posicionado de forma centralizada na tela, de modo que seu fundo está bem rente à base inferior da moldura, e suas extremidades bem próximas às laterais.   De dentro do barco saem dois mastros verticais, que estão localizados, cada um,  próximos as estremidades e tem nas  suas  pontas, uma bandeira, em formato de bandeirinha tipicamente  junina, porém maior que o  tamanho comumente utilizado, hasteada em posição horizontal. Das extremidades do barco saem, em diagonal e em   direção à metade  dos mastros, um cordão com várias bandeirinhas coloridas,  em tons de verde e vermelho-alaranjado. Ligando os dois mastros está um cordão horizontal com bandeirinhas, que juntamente com os cordões diagonais, configuram o formato de um trapézio  ou tenda. Existem ainda na tela, representações de quatro pássaros de cor escura  voando  sobre o barco.   Próximo ao mastro da esquerda estão posicionados, um ao alto  e à esquerda, e outro mais abaixo e à direita.  Um dos pássaros está posicionado bem no centro do quadro, em região bem próxima à borda  do  casco. O quarto pássaro localiza-se um pouco mais acima deste e ao lado  do  mastro da direita.


CEREJEIRA, T. L. T. Áudio-descrição da Pintura "Barco com Bandeirinhas e Pássaros" de Alfredo Volpi. 


sábado, 17 de dezembro de 2011

Basílica da Sagrada Família, de Gaudí

"Basílica da Sagrada Família", De Galdi - 1882

Descrição da imagem: A imagem apresenta a visão frontal da Sagrada Família, com a Fachada da Natividade.  Esta fachada apresenta uma decoração exultante onde todos os elementos são evocadores da vida. Centra-se na faceta mais humana e familiar de Jesus, com uma ampla profusão de elementos populares, como ferramentas e animais domésticos. Está dividida em três pórticos, dedicados às virtudes teologais: da Esperança à esquerda, da Fé à direita, e da Caridade no centro, com a Porta de Jesus e terminada pela Árvore da Vida. A fachada culmina com as torres-campanário dedicadas a São Matias , São Judas Tadeu , São Simão e São Barnabé . Os pórticos estão separados por duas grandes colunas: a de José entre o pórtico da Esperança e o da Caridade, e a de Maria, entre o pórtico da Caridade e o da Fé. Na base das colunas está representada uma tartaruga (uma de terra e uma de mar) como símbolo do inalterável no tempo; os fustes erguem-se em espiral , enquanto os capitéis são em forma de folhas de palma , das quais surgem cachos de tâmaras cobertos de neve (pelo Inverno, data da natividade de Jesus), que dão apoio a dois anjos com trompetes que simbolizam a Anunciação. Em contraste com as tartarugas, de ambos os lados da fachada situaram-se camaleões, símbolos da mudança.




A Basílica da Sagrada Família  , é um grande templo católico da cidade de Barcelona ( Espanha ), desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí , e considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arquitetura modernista. Financiado unicamente por contribuições privadas, o projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883. 
A Sagrada Família  É uma das mais  famosas obra-primas inacabadas do mundo, e os críticos dizem que a versão final do edifício de Gaudi vai parecer muito pouco com o projeto original. Gaudí se recusou de desenhar todo o projeto durante a construção e preferiu fazer alterações com a obra em andamento. Os desenhos originais, durante a Guerra Civil espanhola ( período em que a construção foi suspensa) foram muito estragados pelos anarquistas. Gaudí passou 40 anos supervisionando o trabalho no edifício, e quando morreu, em 1926, a igreja estava longe de terminar. Jordi Bonet, ajudado por um escultor e uma equipe de 40 empregados, passou a realizar o trabalho de terminar o edifício após a morte de Gaudí.
Quando Gaudí começou a dirigir a construção do templo, somente estava construída a cripta, na qual modificou os capitéis , que passaram de ser em estilo coríntio a outro estilo inspirado em motivos vegetais. Gaudí evolucionou desde o primeiro projeto neogótico para o seu estilo particular naturalista, orgânico, adaptado à natureza. Uma das suas fontes de inspiração foi a Caverna do Salnitre em Collbató (Barcelona).
Ele opinava que o gótico era imperfeito, porque as suas formas retas, o seu sistema de pilares e arcobotantes não refletia as leis da natureza, que segundo ele é propensa às formas geométricas regradas. As superfícies regradas são formas geradas por uma reta, denominada geratriz, ao se deslocar sobre uma linha ou várias, denominadas diretrizes. Gaudí as achou em abundância na natureza, como por exemplo, em juncos , canas ou ossos; dizia que não existe melhor estrutura do que um tronco de árvore ou um esqueleto humano. Estas formas são ao mesmo tempo funcionais e estéticas, e Gaudí empregou-as adaptando a linguagem da natureza às formas estruturais da arquitetura, aproveitando as suas qualidades estruturais, acústicas e de difusão da luz.

"A Basílica da Sagrada Família é uma síntese admirável entre técnica, arte e fé. A obra de Gaudí  mostra-nos que Deus é a  verdadeira medida do homem" (Papa Bento XVI).

Curiosidades:
- Gaudí assumiu a obra em 1883 , aos seus 31 anos de idade.   dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva;
- A construção foi suspensa em 1936 devido à Guerra Civil Espanhola e não se estima a conclusão para antes de 2026 , centenário da morte de Gaudí;
- A Fachada da Natividade foi eleita por Gaudí para dar uma perceção global da estrutura e decoração do templo. Como era consciente de que não poderia terminar o projeto no decurso da sua vida, em vez de ir construindo o templo no seu conjunto de jeito linear preferiu construir uma fachada completa em toda a sua verticalidade, para dar uma amostra completa de como devia ser o resto. Escolheu esta fachada por ser, em sua opinião, a que poderia ser mais atraente para o público, fomentando assim a continuação da obra após a sua morte; nas suas próprias palavras:
"Se em vez de fazer esta fachada decorada, ornamentada, turgente, começasse pela da Paixão, dura, pelada, como feita de ossos, as pessoas ter-se-iam retraído".