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domingo, 1 de julho de 2012

Áudio-descrição da pintura "Barco com Bandeirinhas e Pássaros" de Alfredo Volpi


Em homenagem ao período de Festas Juninas, e à forte  tradição, muito comemorada no  nordeste brasileiro, compartilho a áudio-descrição desta pintura, do artista Alfredo Volpi,  tão emblemático  pelas composições  de  "bandeirinhas", em suas obras.

Escolhi esta tela, em especial, pela sua representação lúdica, que transmite a sensação de alegria e leveza,  e claro, porque as bandeirinhas não poderiam faltar, afinal, é Festa de  São João!


Notas sobre a obra

A imagem áudio-descrita é uma fotografia colorida com dimensões de aproximadamente 11 por 15 centímetros em formato paisagem. A obra "Barco com Bandeirinhas e Pássaros", do  artista italo-brasileiro Alfredo Volpi, é uma têmpera sobre tela, com 54,2 centímetros de altura por 73 centímetros de largura. É considerada do movimento Modernista, datada de 1955 e pode ser apreciada no  Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Embora tenha nascido na Itália , Alfredo Volpi imigrou ao Brasil com 2 anos de idade e sempre dizia que seu coração era brasileiro. O pintor adorava misturar cores em telas com essência geométrica.  Na obra "Barco com Bandeirinhas e Pássaros", percebe-se bem estas paixões de Volpi. A pintura é vívida, alegre, rítmica e leve; com cores misturadas. As bandeirinhas, claro, estão presentes. O pintor brasileiro também usa os pássaros para dar uma impressão de movimento ao barco.

A ideia de pintar bandeirinhas veio de uma vez em que Volpi estava com sua mulher passeando em um sítio no interior de São Paulo. Era época de Festa Junina e o espírito observador do artista o fez incorporar as bandeirinhas em seu trabalho. O próprio  Volpi anuncia esta fase da seguinte maneira:

"A gente se desliga e então  só passa a existir o problema da linha, forma e cor. Minhas bandeirinhas não são bandeirinhas; são só o problema das bandeirinhas".


"Barco com Bandeirinhas e Pássaros", de Alfredo Volpi - 1955

Áudio-descrição

A imagem apresenta um barco, em perspectiva lateral, sobre fundo  azulado. O casco do barco, em tom esverdeado, tem formato oval, partido ao meio. O barco está posicionado de forma centralizada na tela, de modo que seu fundo está bem rente à base inferior da moldura, e suas extremidades bem próximas às laterais.   De dentro do barco saem dois mastros verticais, que estão localizados, cada um,  próximos as estremidades e tem nas  suas  pontas, uma bandeira, em formato de bandeirinha tipicamente  junina, porém maior que o  tamanho comumente utilizado, hasteada em posição horizontal. Das extremidades do barco saem, em diagonal e em   direção à metade  dos mastros, um cordão com várias bandeirinhas coloridas,  em tons de verde e vermelho-alaranjado. Ligando os dois mastros está um cordão horizontal com bandeirinhas, que juntamente com os cordões diagonais, configuram o formato de um trapézio  ou tenda. Existem ainda na tela, representações de quatro pássaros de cor escura  voando  sobre o barco.   Próximo ao mastro da esquerda estão posicionados, um ao alto  e à esquerda, e outro mais abaixo e à direita.  Um dos pássaros está posicionado bem no centro do quadro, em região bem próxima à borda  do  casco. O quarto pássaro localiza-se um pouco mais acima deste e ao lado  do  mastro da direita.


CEREJEIRA, T. L. T. Áudio-descrição da Pintura "Barco com Bandeirinhas e Pássaros" de Alfredo Volpi. 


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Áudio-descrição da escultura "O Pensador", de Auguste Rodin


O Pensador, 1902 - Auguste Rodin


Confiram a publicação daÁudio-descrição de O Pensador", na Revista Brasileira de Tradução Visual - RBTV, edição de março de 2012.

Comentem, divulguem!

em:

http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/123/199


Abraços!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cadeira Panton, de Verner Panton

"Panton Chair", de Verner Panton - 1960



Descrição da imagem:

Feita de fibra de vidro com acabamento de pintura automotiva, sua forma expressiva a tornou-se  um verdadeiro ícone do design do século 20 e da Pop  Art. A Cadeira Panton, feita em forma S, é versátil , leve e confortável , e muda de papel conforme a necessidade do momento: passa de cadeira à mesa e vai até onde a imaginação de cada um alcançar. É feita com um bloco único de polietileno (plástico moldado), que se apresenta tal qual uma escultura totalmente limpa, com acabamento liso dos dois lados e pintura automotiva,  em cores marcantes. Quando justapostos, na posição de poltrona , os módulos podem compor sofás.



Há cerca de 50 anos atrás um dinamarquês nascido na cidade de Gamtofte produziu peças que ainda hoje têm como principal característica a inovação.  Verner Panton (1926-1998) é sinônimo de vanguarda  e foi expert em criar um mobiliário lúdico e novo num período em que o mundo atravessava a era pré-tecnológica, sendo também um precursor da revolução pop no mobiliário cool da época.

O designer utilizou como matéria prima para seu trabalho materiais como o plástico, o poliuretano e a espuma. Queria quebrar a frieza e rigidez do ferro e tornar o mobiliário mais engraçado. Para ele, era "inconcebível sentar num sofá bege e quadrado".

Algumas de suas peças, como a conhecida "Panton Chair", desafiaram a lei da gravidade e ainda hoje causam admiração e espanto. A Cadeira Panton, foi a primeira cadeira produzida em plástico, sendo ela uma peça inteira, contínua. Unidade em forma e material. Foi criada em 1960, ganhou vários prêmios de design e faz parte de diversas coleções em museus renomados em todo o mundo.

Verner Panton rompeu com a tradição dinamarquesa de linhas simples  puro e elegante em móveis de madeira, e experimentou com materiais coloridos e novos. Ele era um artesão que usou o plástico e o metal para criar objetos com um olhar mais internacional. É o exemplo perfeito de se estar no local exato, na época exata. A liberdade da cadeira Panton representava justamente o que os anos 60 pregavam.

De todas as cadeiras históricas a Panton é a unica realmente diferente de todas, isso se dá porque, além da sua forma inusitada: E inteiriça, não há separação entre o assento, a estrutura de apoio e o espaldar. Além disso, a cadeira Panton é um objeto de sentar. Isso se dá devido ao fato de que todas as suas medidas, ângulos, linhas, reentrâncias e volumes, foram estudados para que o corpo humano se adapte, e se encaixe, moldando-se de forma completa e perfeita ao contorno da mesma.

Se a cadeira é o objeto de desejo de todos os  designers, Panton, conseguiu a façanha de criar a mais bela e funcional de  todas. Só o "enfant terrible" do Design poderia conseguir. E suas palavras refletem bem o que foi o seu criativo  e revolucionario trabalho:

" A maioria das pessoas passam suas vidas vivendo morosamente em tons de bege, com medo de usar e viver as cores. O principal  objetivo do meu trabalho é provocar as  pessoas a usar sua imaginação e fazer do seu entorno e suas vidas algo mais  emocionante."

"Fonte", de Marcel Duchamp

"Fonte", de Marcel Duchamp - 1917



Descrição da imagem:

"Fountaine" ou "Fonte", de 1917/1964, Ready-made, é um urinol invertido (de cabeça para baixo) de porcelana, com  23,5 x 18 cm, altura 60 cm. Milão, Coleção de Arturo Schwartz. Trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado,  comprado numa loja de construção. Duchamp compara a peça com a projeção de Buda. Olhando bem de perto, parece mesmo com a imagem dele.  Entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.

Marcel Duchamp (1889 - 1968) é um dos artistas mais influentes da contemporaneidade. Irreverente, confrontou-se com os estilos de sua época e declarou a arte como um experimento.  Além disso, Duchamp criou o ready-made , a arte de recriar em cima de obras já existentes.

Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte.

Duchamp enfatizava, muito antes de virar moda o discurso da acessibilidade,e dizia que  para pessoas com necessidades especiais, seria necessário romper com a "arte retiniana", ou seja, a arte que percebemos essencialmente pela retina, pois pessoas cegas ou com glaucoma espiritual não poderiam ter acesso aos seus conteúdos -e, no final das contas, uma imagem sempre diz muito mais do que seu recado imediato nos faz supor. A idéia era que a arte deveria ser, sobretudo, uma idéia, e não uma forma. O urinol que Marcel Duchamp mandou para o Salão dos Independentes, em Nova York (1917), completou 90 anos e foi eleito a obra mais importante de tudo o que se produziu em artes plásticas no século XX.  Na verdade, o urinol de parede, que Duchamp intitulou de "Fonte" e assinou como sendo de R. Mutt, produzido pela J. L. Motta Iron Works Company, nem chegou a ser exibido naquele salão, porque foi censurado e a peça original, relegada, desapareceu.

A obra é considerada fundadora da contemporaneidade, portanto, não existiu, foi uma simples idéia e que permaneceu "in absentia" até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. Em 1990, a Tate Galery pagou um milhão de libras por uma dessas cópias.

Embora Duchamp dissesse que o urinol era apenas um urinol, um objeto deslocado de suas funções, alguns críticos, como George Dickie, começaram a ver nessa porcelana as mesmas virtudes plásticas das obras de Brancusi.  Outros críticos, -já que o urinol havia desaparecido, começaram a ver na fotografia do mesmo feita por Stieglitz uma referência à deusa Vênus, que surgiu das águas.  Alguns considerando bem a fotografia do urinol concluíram que ali estava projetada a efígie de Nossa Senhora.  Já a mulher do músico de vanguarda Eduardo Varese sustentava que o urinol era a reprodução da imagem de Buda.

Duchamp, embora dissesse que o artista não deve se repetir, mandou fazer várias réplicas desse urinol para vender para museus, e confeccionou uma caixa portátil com miniaturas de suas obras para vender também para museus e colecionadores.

Curiosidades:

- Em 1993, numa exposição em Nymes, o artista francês Pierre Pinnocelli se aproximou de um dos urinóis de Duchamp e decidiu se "apropriar" da obra, primeiro urinando nela e dizendo que o fato de ter urinado nela a obra de Duchamp agora lhe pertencia.  Depois de ter urinado no urinol, Pinnocelli, pegou um martelo e quebrou a obra de Duchamp com o argumento de que agora a obra era dele, ele havia se "apropriado" conceitualmente dela. Ele foi processado pelo estado francês que lhe exigiu uma hipoteca de 300.000 francos e que a questão deixou de ser estética para ser policial e até o Ministro da Justiça e da Cultura na França tiveram que opinar.  O mesmo Pinnocelli em 2005, obcecado pelo urinol, insistindo que o urinol é de quem "intervem" nele, atacou a marteladas a cópia dessa obra no Beaubourg, em Paris, o que provocou novos problemas com a polícia;

- Duchamp dizia que o nome "Mutt" que botou no urinol, como sendo o do pretenso autor (que era ele mesmo) era uma homenagem aos personagens em quadrinho- Mutt e Jeff.  Mesmo assim Jean Clair- considerado o maior critico francês da atualidade-, prefere entender que "Mutt" remete para uma gíria em inglês significando "imbecil" e que o pseudônimo "R. Mutt" lembra "armut, que em alemão significa "indigência", "penúria";

- Calvin Tomkins-o biógrafo de Duchamp acha que aquele urinol é a imagem que Duchamp tinha da mulher como receptáculo do líquido masculino, em consonância com os futuristas italianos que diziam que a mulher era um "urinol de carne".