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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Áudio-descrição da escultura "O Pensador", de Auguste Rodin


O Pensador, 1902 - Auguste Rodin


Confiram a publicação daÁudio-descrição de O Pensador", na Revista Brasileira de Tradução Visual - RBTV, edição de março de 2012.

Comentem, divulguem!

em:

http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/123/199


Abraços!

terça-feira, 13 de março de 2012

Áudio-descrição da escultura “Pietá”, de Michelangelo Buomarotti

Notas sobre a obra:

A imagem áudio-descrita é uma fotografia colorida com dimensões de aproximadamente 18 por 15 centímetros em formato retrato. A escultura "Pietá", do artista renascentista, Michelangelo Buonarotti. É datada de 1499 e se encontra   na Basílica de São Pedro no Vaticano, na primeira capela da alameda do lado direito de quem entra na igreja, sob uma  redoma de vidro  inquebrável. Uma Pietà (italiano para Piedade) é um tema da arte cristã em que é representada a Virgem Maria com o corpo morto de Jesus nos braços, após a crucificação.


Legenda: “Pietá”, de Michelangelo Buonarotti - 1499

A imagem, sobre fundo escuro, mostra a escultura "Pietá" , em mármore de carrara, branco, polido como um marfim, no seu tamanho original de 174 centímetros de altura por 195 centímetros de largura.


A virgem Maria segura o filho Jesus morto nos braços. A escultura está harmonizada com a figura horizontal do Cristo, estendido sobre os joelhos da mãe, como que inserido entre suas  amplas vestes, com a figura vertical de Maria. A imagem de Jesus foi composta dentro da limitação do corpo da virgem.  As proporções do Cristo foram alteradas, ele é menor que a Virgem Maria , e está contido em seu manto, como se representasse uma espécie de  ligação entre mãe e filho. Na expressão do Cristo, não se observa uma representação da morte, mas sim a fisionomia  de um homem abandonado, mas sereno. A fisionomia da Virgem Maria é extremamente jovem e calma. A polidez do mármore realça sua beleza e  doçura. Traz no seu semblante uma expressão nobre de resignação. O peito da Virgem Maria traz, uma faixa atravessada, com a  assinatura de Michelangelo:
MICHAEL ANGELUS. BONAROTUS. FLORENT. FACIEBA(T) que significa "Miguel Angelo Buonarotus de Florença fez."

A mão direita da madona, que sustenta com força o corpo inerte, tem os dedos abertos, evidenciando as costelas do Cristo. O braço direito deste, por sua vez, aponta para o achado.   O achado está contido em uma forma  triangular na porção inferior da escultura. Um dos lados desse triângulo é formado pelo dorso, a região glútea e a coxa direita de Jesus. A panturrilha e o pé direito deste compõem o segundo lado. O terceiro é constituído por uma linha sobre o mando da Virgem, um pouco arqueada, que começa nos pés do Cristo e se eleva até a extremidade esquerda da estátua. Nesse triângulo encontra-se a representação do corte frontal do hemitórax direito. Abaixo do pé direito de Jesus se observam, nas dobras do manto, duas costelas seccionadas.

CEREJEIRA, Thiago de Lima Torreão. Áudio-descrição da Escultura "Pietá" de Michelangelo Buonarotti. Blog Arte Descrita- www.artedescrita.blogspot.com, Natal-RN, mar/2012.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

"Fonte", de Marcel Duchamp

"Fonte", de Marcel Duchamp - 1917



Descrição da imagem:

"Fountaine" ou "Fonte", de 1917/1964, Ready-made, é um urinol invertido (de cabeça para baixo) de porcelana, com  23,5 x 18 cm, altura 60 cm. Milão, Coleção de Arturo Schwartz. Trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado,  comprado numa loja de construção. Duchamp compara a peça com a projeção de Buda. Olhando bem de perto, parece mesmo com a imagem dele.  Entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.

Marcel Duchamp (1889 - 1968) é um dos artistas mais influentes da contemporaneidade. Irreverente, confrontou-se com os estilos de sua época e declarou a arte como um experimento.  Além disso, Duchamp criou o ready-made , a arte de recriar em cima de obras já existentes.

Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte.

Duchamp enfatizava, muito antes de virar moda o discurso da acessibilidade,e dizia que  para pessoas com necessidades especiais, seria necessário romper com a "arte retiniana", ou seja, a arte que percebemos essencialmente pela retina, pois pessoas cegas ou com glaucoma espiritual não poderiam ter acesso aos seus conteúdos -e, no final das contas, uma imagem sempre diz muito mais do que seu recado imediato nos faz supor. A idéia era que a arte deveria ser, sobretudo, uma idéia, e não uma forma. O urinol que Marcel Duchamp mandou para o Salão dos Independentes, em Nova York (1917), completou 90 anos e foi eleito a obra mais importante de tudo o que se produziu em artes plásticas no século XX.  Na verdade, o urinol de parede, que Duchamp intitulou de "Fonte" e assinou como sendo de R. Mutt, produzido pela J. L. Motta Iron Works Company, nem chegou a ser exibido naquele salão, porque foi censurado e a peça original, relegada, desapareceu.

A obra é considerada fundadora da contemporaneidade, portanto, não existiu, foi uma simples idéia e que permaneceu "in absentia" até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. Em 1990, a Tate Galery pagou um milhão de libras por uma dessas cópias.

Embora Duchamp dissesse que o urinol era apenas um urinol, um objeto deslocado de suas funções, alguns críticos, como George Dickie, começaram a ver nessa porcelana as mesmas virtudes plásticas das obras de Brancusi.  Outros críticos, -já que o urinol havia desaparecido, começaram a ver na fotografia do mesmo feita por Stieglitz uma referência à deusa Vênus, que surgiu das águas.  Alguns considerando bem a fotografia do urinol concluíram que ali estava projetada a efígie de Nossa Senhora.  Já a mulher do músico de vanguarda Eduardo Varese sustentava que o urinol era a reprodução da imagem de Buda.

Duchamp, embora dissesse que o artista não deve se repetir, mandou fazer várias réplicas desse urinol para vender para museus, e confeccionou uma caixa portátil com miniaturas de suas obras para vender também para museus e colecionadores.

Curiosidades:

- Em 1993, numa exposição em Nymes, o artista francês Pierre Pinnocelli se aproximou de um dos urinóis de Duchamp e decidiu se "apropriar" da obra, primeiro urinando nela e dizendo que o fato de ter urinado nela a obra de Duchamp agora lhe pertencia.  Depois de ter urinado no urinol, Pinnocelli, pegou um martelo e quebrou a obra de Duchamp com o argumento de que agora a obra era dele, ele havia se "apropriado" conceitualmente dela. Ele foi processado pelo estado francês que lhe exigiu uma hipoteca de 300.000 francos e que a questão deixou de ser estética para ser policial e até o Ministro da Justiça e da Cultura na França tiveram que opinar.  O mesmo Pinnocelli em 2005, obcecado pelo urinol, insistindo que o urinol é de quem "intervem" nele, atacou a marteladas a cópia dessa obra no Beaubourg, em Paris, o que provocou novos problemas com a polícia;

- Duchamp dizia que o nome "Mutt" que botou no urinol, como sendo o do pretenso autor (que era ele mesmo) era uma homenagem aos personagens em quadrinho- Mutt e Jeff.  Mesmo assim Jean Clair- considerado o maior critico francês da atualidade-, prefere entender que "Mutt" remete para uma gíria em inglês significando "imbecil" e que o pseudônimo "R. Mutt" lembra "armut, que em alemão significa "indigência", "penúria";

- Calvin Tomkins-o biógrafo de Duchamp acha que aquele urinol é a imagem que Duchamp tinha da mulher como receptáculo do líquido masculino, em consonância com os futuristas italianos que diziam que a mulher era um "urinol de carne".

domingo, 1 de janeiro de 2012

Busto de Nefertiti, de Tutmés

"Busto de Nefertiti", De Tutmês - 1345 a. C.

Descrição da imagem:

O busto de Nefertiti, que tem quase 3.400 anos e mede cerca de 50 centímetros de altura, foi encontrado em estado quase perfeito, somente os lóbulos das orelhas estavam lascados. Trata-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea inscrustrada.  Supõe-se que esta teria desprendido quando o busto foi encontrado, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada (por motivos místicos) para não causar inveja as deusas do Egito. 
O busto de Nefertite foi talhado em várias etapas sobre uma base de pedra calcária coberta por capas de estuque de diferentes espessuras e tem fissuras nos ombros, na zona inferior e na parte traseira da coroa.
A imagem do busto é alongada, o rosto é muito simétrico, com maçãs proeminentes e nariz perfeito. a pele é delicada e morena,  sem marcas de expressão ou rugas, olhos bem  marcados e  delineados com maquiagem escura, boca suave no tom da pele. Na cabeça, aparentemente raspada(hábito comum entre os egípcios antigos) está situada uma coroa azul, símbolo da nobreza. No colo apresenta uma gargantilha, que circunda todo o pescoço, colorida e com motivos gráficos.
Num  contexto geral, a escultura exibe uma expressão de jovialidade e com padrão de beleza equivalente, senão superior, ao das mulheres mais belas da época.


Nefertiti (c. 1380 - 1345 a.C.), mais conhecida como "Rainha do Nilo", foi  uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito , esposa principal do faraó Amen-hotep IV , mais conhecido  como Akhenaton .
O nome Nefertiti  significa "a mais Bela chegou".

Uma equipe de arqueólogos alemães , liderada por Ludwig Borchardt, descobriu o busto em 1912 , no ateliê de Tutmóses em Amarna , no Egito, e ele foi desde então mantido em diversas localidades da Alemanha .  Atualmente está em exposição no Neues Museum , em Berlim, onde era exibido antes da Segunda Guerra Mundial.

O busto de Nefertiti se tornou um símbolo cultural da capital alemã, bem como do Egito Antigo. Também é tema de uma intensa discussão entre os dois países, em vista da exigência das autoridades egípcias por sua
devolução. Existem também controvérsias envolvendo sua autenticidade.

Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose . O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras.


Curiosidades:

- Ao ser encontrado, o busto foi contrabandeado para fora do país, disfarçado como fragmentos de cerâmica quebrada;
- Nefertiti  foi a mais importante rainha do faraó Amen-Hotep, que governou o Egito de 1353 a 1335 a.C. Durante o reinado, o faraó mudou o próprio nome para Akhenaton - "o que serve a Aton, o Deus-Sol" - e adotou uma nova religião, monoteísta, que enfatilizava a ética;
- Nefertiti recebeu um  elevado status, quase igual ao de seu marido. Alguns estudiosos acreditam que ela era a força por trás da nova religião e que governou como co-regente durante algum tempo. Após a morte de Akhenaton, quase todos os traços dele e de sua poderosa esposa foram apagados, talvez pelos sacerdotes cuja religião os dois rejeitaram.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

David, de Michelangelo

"David", de Michelangelo - 1504


Descrição da imagem:
Uma estátua, de um homem jovem, em pé, de mármore branco, corpo bem definido,  despido e cabelos curtos encaracolados. O braço direito está relaxado, para baixo, até a altura da coxa direita. A perna direita possui um pequeno pedestal, que serve de apoio para a sustentação da escultura. O braço esquerdo, está inclinado para cima, tocando o ombro esquerdo, e tem sobre ele, uma pequena toalha. A cabeça está levemente voltada para cima e para o lado esquerdo e sua face contempla o horizonte.




O post de estréia deste blog, começará com uma homenagem a uma das obras de arte, mais apreciadas e visitadas do mundo, tamanha a sua perfeição e delicadeza colossal.
   
O "David" é uma das esculturas mais famosas do mestre renascentista Michelangelo Buonarotti. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatômico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura encontra-se em Florença ,  na Itália , cidade que originalmente encomendou a obra.

É uma estátua em mármore, mede 5,17 m (cinco metros e dezessete centímetros) e pesa 5,5 toneladas. Devido à genialidade que sempre foi atribuída à obra, ela foi escolhida como símbolo máximo da República de Florença.

Michelangelo levou três anos para concluir a escultura (começou-a em 1501 e concluiu-a em 1504). Antes de Michelangelo receber a incumbência dessa obra, o bloco de mármore de carrara que ele usou havia ficado exposto ao tempo por 25 anos no pátio da catedral de Santa Maria del Fiore. O bloco foi danificado a ponto de diminuir de tamanho. Outros escultores já haviam recebido a incumbência da obra mas, por razões diversas, eles não se interessaram. Esse bloco foi rejeitado por grandes mestres como Duccio, Baccelino e Roselino .

Foi desse mesmo bloco que Michelangelo fez brotar o David. O local que estava danificado, foi usado pelo mestre como a região em que não existe mármore(entre as pernas do herói bíblico).

Michelangelo é considerado nesta obra uma espécie de inovador, pois retrata a personagem não após a batalha contra Golias (como Donatello e Verrochio antes dele fizeram), mas no momento imediatamente anterior a ela, quando David está apenas se preparando para enfrentar uma força que todos julgavam ser impossível de derrotar.

Usou, neste trabalho, o realismo do corpo nu e o predomínio das linhas curvas.  O David ficou exposto na Piazza della Signoria até 1873, quando se decidiu colocá-la a salvo de agentes atmosféricos que, vagarosamente a destruíam. Foi então levada para a Galleria dell'Accademia onde pode ser admirada atualmente. Uma restauração em 2004, em que um polimento minucioso foi executado na escultura, removeu as manchas que os séculos de exposição provocaram no mármore e deixou a obra com todo o brilho que ela apresentava quando de sua criação.

Davi, simplesmente perpetua a liberdade, a pureza, a magnitude de uma obra que nos deixa perplexos.

Curiosidades:

- Houve uma verdadeira batalha para se decidir qual o método de limpeza a ser usado para restauração da obra.
- Como esteve ao ar livre por alguns séculos, seus "poros" foram abertos e a poeira alojou-se em toda a extensão do mármore.
- A grande ameaça era o gypsum, um sulfato de cálcio que acumula a umidade.
- Depois de terminar a obra, Michelangelo passou quatro meses lustrando o mármore.
- Em 1527 o braço esquerdo do David foi quebrado em um motim. A cicatriz do restauro é visível até hoje.
- Em 1991 um "artista" chamado Piero Cannato deu uma martelada num dos dedões da obra mutilando-a.
- No século XVI guardiões da moral resolveram acrescentar uma tanga de metal feita de 28 folhas de figo à nudez da obra.
- Em 1995 autoridades religiosas de Jerusalém recusaram uma réplica em tamanho natural do David, presente da cidade de Firenze. Por acreditarem ser agressiva sua nudez exigiam que ela fosse coberta.
- Em Firenze, se arme de muita paciência, encare uma fila sempre enorme e se encante com o espetáculo que é a Galleria dell'Accademia. Uma vez lá dentro admire uma das obras mais impressionantes criadas por Michelangelo. É proibido tirar fotos e os vigias estão de olho para, sem o menor constrangimento, se dirigir hostilmente a quem desobedece a essa norma.