sábado, 17 de dezembro de 2011

Basílica da Sagrada Família, de Gaudí

"Basílica da Sagrada Família", De Galdi - 1882

Descrição da imagem: A imagem apresenta a visão frontal da Sagrada Família, com a Fachada da Natividade.  Esta fachada apresenta uma decoração exultante onde todos os elementos são evocadores da vida. Centra-se na faceta mais humana e familiar de Jesus, com uma ampla profusão de elementos populares, como ferramentas e animais domésticos. Está dividida em três pórticos, dedicados às virtudes teologais: da Esperança à esquerda, da Fé à direita, e da Caridade no centro, com a Porta de Jesus e terminada pela Árvore da Vida. A fachada culmina com as torres-campanário dedicadas a São Matias , São Judas Tadeu , São Simão e São Barnabé . Os pórticos estão separados por duas grandes colunas: a de José entre o pórtico da Esperança e o da Caridade, e a de Maria, entre o pórtico da Caridade e o da Fé. Na base das colunas está representada uma tartaruga (uma de terra e uma de mar) como símbolo do inalterável no tempo; os fustes erguem-se em espiral , enquanto os capitéis são em forma de folhas de palma , das quais surgem cachos de tâmaras cobertos de neve (pelo Inverno, data da natividade de Jesus), que dão apoio a dois anjos com trompetes que simbolizam a Anunciação. Em contraste com as tartarugas, de ambos os lados da fachada situaram-se camaleões, símbolos da mudança.




A Basílica da Sagrada Família  , é um grande templo católico da cidade de Barcelona ( Espanha ), desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí , e considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arquitetura modernista. Financiado unicamente por contribuições privadas, o projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883. 
A Sagrada Família  É uma das mais  famosas obra-primas inacabadas do mundo, e os críticos dizem que a versão final do edifício de Gaudi vai parecer muito pouco com o projeto original. Gaudí se recusou de desenhar todo o projeto durante a construção e preferiu fazer alterações com a obra em andamento. Os desenhos originais, durante a Guerra Civil espanhola ( período em que a construção foi suspensa) foram muito estragados pelos anarquistas. Gaudí passou 40 anos supervisionando o trabalho no edifício, e quando morreu, em 1926, a igreja estava longe de terminar. Jordi Bonet, ajudado por um escultor e uma equipe de 40 empregados, passou a realizar o trabalho de terminar o edifício após a morte de Gaudí.
Quando Gaudí começou a dirigir a construção do templo, somente estava construída a cripta, na qual modificou os capitéis , que passaram de ser em estilo coríntio a outro estilo inspirado em motivos vegetais. Gaudí evolucionou desde o primeiro projeto neogótico para o seu estilo particular naturalista, orgânico, adaptado à natureza. Uma das suas fontes de inspiração foi a Caverna do Salnitre em Collbató (Barcelona).
Ele opinava que o gótico era imperfeito, porque as suas formas retas, o seu sistema de pilares e arcobotantes não refletia as leis da natureza, que segundo ele é propensa às formas geométricas regradas. As superfícies regradas são formas geradas por uma reta, denominada geratriz, ao se deslocar sobre uma linha ou várias, denominadas diretrizes. Gaudí as achou em abundância na natureza, como por exemplo, em juncos , canas ou ossos; dizia que não existe melhor estrutura do que um tronco de árvore ou um esqueleto humano. Estas formas são ao mesmo tempo funcionais e estéticas, e Gaudí empregou-as adaptando a linguagem da natureza às formas estruturais da arquitetura, aproveitando as suas qualidades estruturais, acústicas e de difusão da luz.

"A Basílica da Sagrada Família é uma síntese admirável entre técnica, arte e fé. A obra de Gaudí  mostra-nos que Deus é a  verdadeira medida do homem" (Papa Bento XVI).

Curiosidades:
- Gaudí assumiu a obra em 1883 , aos seus 31 anos de idade.   dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva;
- A construção foi suspensa em 1936 devido à Guerra Civil Espanhola e não se estima a conclusão para antes de 2026 , centenário da morte de Gaudí;
- A Fachada da Natividade foi eleita por Gaudí para dar uma perceção global da estrutura e decoração do templo. Como era consciente de que não poderia terminar o projeto no decurso da sua vida, em vez de ir construindo o templo no seu conjunto de jeito linear preferiu construir uma fachada completa em toda a sua verticalidade, para dar uma amostra completa de como devia ser o resto. Escolheu esta fachada por ser, em sua opinião, a que poderia ser mais atraente para o público, fomentando assim a continuação da obra após a sua morte; nas suas próprias palavras:
"Se em vez de fazer esta fachada decorada, ornamentada, turgente, começasse pela da Paixão, dura, pelada, como feita de ossos, as pessoas ter-se-iam retraído".


domingo, 4 de dezembro de 2011

O Grito, de Edvard Munch


"O Grito", de Edvard Munch - 1893

Descrição da Imagem:  É uma pintura, tipo óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão. Mede 83.5 x 66 centímetros.Vemos ao fundo um céu de cores quentes, como se fossem lavas de um vulcão, em oposição ao rio em azul, (cor fria), que sobe acima do  horizonte, assemelhando-se a uma  língua de vidro. Vemos que a figura humana também está em cores  frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário, uma aparência andrógina, que denota a possibilidade de poder ser qualquer pessoa. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura e se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras humanas (seus amigos) que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, o que não se modificou (supostamente seus amigos e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.




          O Grito (no original Skrik ) é uma pintura do norueguesa Edvard Munch, datada de 1893 e está localizada na Galeria nacional de Oslo, na Noruega. A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo ) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Esta imagem talvez seja a mais importante do Expressionismo, no mínimo a mais conhecida de Munch. A obra é inspirada na própria vida pessoal do pintor, suas tristezas, angústias profundas, sua história de vida e desencontros. Há uma citação, de um suposto diário, que ele escrevia, que fundamentaria como se deu, a possível inspiração para a obra: 
                    
"Passeava  com dois amigos ao pôr-do-sol. O céu ficou de súbito vermelho-sangue. Parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação, havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade. Os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade e senti o grito infinito da Natureza".

              O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia. A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, o regime nazi classificou Munch como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.
          A dor do grito está presente não só na personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

Curiosidades:

- A possível fonte de inspiração para esta figura humana estilizada pode ter sido uma  múmia peruana que Munch viu na exposição universal de Paris em 1887;
- Depois da Revolução Cultural Chinesa , Munch foi o primeiro artista ocidental cujas obras foram exibidas na Galeria Nacional de Pequim ;
- Alguns historiadores de arte consideram que o tom avermelhado de fundo no quadro O Grito, reflete o efeito na atmosfera ao entardecer, depois da erupção do vulcão da Indonésia Cracatoa em 1883 ;
- O quadro O Grito foi roubado diversas vezes. Em 31 de Agosto de 2006 a polícia norueguesa anunciou ter reencontrado em condições normais.